Este trabalho foi elaborado no âmbito da actividade integradora do tema de vida Tradições Populares.
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Tradições populares
EFA b3 iosi
2011
ACIMC
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Índice:
Introdução................................................................................................................ 4
Caracterização histórica e geográfica do Concelho............................................ 6
Lenda dos cavaleiros...................................................................................... 9
Personalidades da terra............................................................................... 11
Tradições............................................................................................................... 13
As ceifas........................................................................................................ 13
A carreja....................................................................................................... 14
O mata porco............................................................................................... 15
Os enchidos.................................................................................................. 16
Dia de São Martinho.................................................................................... 17
O entrudo..................................................................................................... 18
Rezas e mézinhas......................................................................................... 21
História dos chás................................................................................................... 23
Glossário................................................................................................................ 28
Conclusão.............................................................................................................. 31
INTRODUÇÃO
No âmbito do tema de vida “Tradições Populares”, os formandos do curso Instalação e Operação de Sistemas Informáticos (IOSI) - B3 com a colaboração dos formadores, desenvolveu o seguinte trabalho sobre as tradições populares do nosso concelho.
Pretendemos assim, dar a conhecer as tradições existentes no nosso concelho, Macedo de Cavaleiros, abordando assim várias temáticas, como a lenda da nossa terra, várias tradições populares ainda existentes, dar a conhecer algumas rezas e mezinhas, provérbios, bem como algumas expressões populares e personalidades do Concelho de Macedo de Cavaleiros.
Expressão da vida quotidiana do povo através da animação de ritos e costumes de trabalho e lazer, lendas, tradições e festas populares.
O Folclore é a história viva de um povo. O conhecimento transmitido por imitação e via oral, preservado pela memória colectiva através das gerações é animado através da encenação, danças e canções levadas a cabo por agrupamentos populares sob a forma de Grupos Folclóricos, Ranchos Folclóricos, Grupos Etnográficos, etc.
Caracterização histórica e geográfica do concelho
O actual concelho de Macedo de Cavaleiros foi criado em 1853. Dez anos depois, a aldeia de Macedo, que já no tempo de D. João V passara a ser reguengo real, recebe o título de Vila. Em 1999, o de cidade.
Macedo de Cavaleiros é assim um concelho com pouco mais de 150 anos de existência, que se estende por uma área de 699,3 km2, composto por 38 Freguesias que agrupam 67 localidades.
Nos dias de hoje, de acordo com os Censos de 2001, a população é de 17449 residentes. Segundo a mesma fonte, o sector terciário representa cerca de 58% da população activa; o secundário, localizado sobretudo na Zona Industrial, representa 22%. A ruralidade é uma marca identitária de Macedo de Cavaleiros, sendo que 21% dos activos do concelho encontram na agricultura e na pecuária o seu sustento.
O território concelhio tem uma altitude média de 600 a 700 metros, tendo a norte a Serra de Nogueira, ao centro a de Ala e a do Cubo, a sul a Serra de Bornes e, a Este, o Monte de Morais. As condições climáticas e a fertilidade do solo fazem do concelho um bom produtor de excelentes vinhos, cereais, carne de bovino, ovino e caprino, azeite e castanha. Uma vasta área é Rede Natura 2000, com a particularidade única em Portugal do Maciço de Morais, o “umbigo do mundo”, na gíria dos geólogos, a criar um ecossistema extraordinário com plantas raras. A Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, possível após a construção de uma barragem em 1980-82, é o exemplo de que a acção do homem e a natureza podem ser compatíveis e enriquecedoras do ambiente natural.
O progresso de Macedo foi feito, ao longo do século XX, com a imigração de gente que para aqui veio atraída pelo caminho-de-ferro e ao facto de ser a encruzilhada das vias de circulação do Nordeste de Portugal. Um boom de construção e de instalação de serviços ocorreu em meados do século e, novamente, depois do regresso dos portugueses do Ultramar, após a descolonização. Os macedenses têm sido uma população laboriosa e empreendedora. Alguns têm-se notabilizado como militares, políticos, escritores e artistas, beneméritos e santos. Uma quantidade imensa de gente, à semelhança do resto de Trás-os-Montes, está emigrada nos quatro cantos do mundo. Muitos regressam periódica e episodicamente à sua origem, constituindo um mercado turístico promissor.
Macedo de Cavaleiros
Até ao dia de Portugal, Macedo tinha lendas sobre valorosos cavaleiros e as suas façanhas. Umas contra mouros, outras contra espanhóis, das quais ficaram frases muitas vezes repetidas como: “Maça Macedo, maça Macedo”, mas todas tentando justificar a toponímia “dos Cavaleiros”.
Depois do dia 10 de Junho de 2006, Macedo de Cavaleiros tem uma história e o nome de um herói: Martim Gonçalves de Macedo. Herói não só de Macedo (terra que lhe deu nome e que, por ele, haveria de se chamar de Cavaleiros), mas de toda a nação.
As acções heróicas aconteceram numa tarde de 14 de Agosto, decorria o ano de 1385 e, a alguns quilómetros de Aljubarrota guerreavam espanhóis e o Mestre de Avis, que depois seria D. João I e tinha por escudeiro Martim Gonçalves de Macedo.
Descrevem várias crónicas que, “Chegando este Rei (D. João I) a braços com Álvaro Gonçalves Sandoval, homem de grandes forças, caíra el-Rei, e Martim Gonçalves o levantou do chão e matou o castelhano”.
Os feitos de Martim de Macedo O futuro rei soube agradecer o feito a Martim de Macedo, fazendo notar que nas armas da sua família passasse a constar “um braço com a maça com que matou o castelhano e no braço metida uma coroa real, porque no valor daquele braço consistiu a coroa daquele Rei”. A relação de Martim Gonçalves de Macedo com as terras que hoje são Macedo de Cavaleiros parece estar assegurada por um registo que afirma que Martim Gonçalves de Macedo casou com dona Brites de Sousa (com muitos dotes), constituindo morgado em Macedo de Cavaleiros.
Muito interessou e interessa aos macedenses a origem do nome Cavaleiros. Tudo indica que se deve à figura de Martim Gonçalves de Macedo. Esta luz que se fez no nome e história de Macedo de Cavaleiros deve-se a “de Macedo a Macedo de Cavaleiros (via Aljubarrota) “, da autoria de Pedro Barbosa e Carlos Mendes. O livro, propriedade da autarquia, é um documento importante para qualquer macedense. Lê-se com facilidade, contém referências de heráldica, genealogia do Macedo e uma descrição com algum pormenor da Batalha de Aljubarrota, para além de inúmeros e valiosos excertos de crónicas e textos antigos.
Lenda dos cavaleiros
“Estaríamos pois nos primeiros tempos da nossa Nacionalidade. Eram muito frequentes nessa altura as lutas que Portugal recém-nascido tratava com os numerosos inimigos que queriam impedir a todo o custo que o nosso jovem País alargasse as fronteiras, tornando-se realidade os seus sonhos de poderio”.
Habitam nessa época, num lugar hoje denominado Santa Catarina, escondido entre altas serras e vales tortuosos e radiantes, num cantinho de Trás-os-Montes, dois cavaleiros fidalgos de nobre estirpe, que em todas as lutas e palejas viam a sua intrepidez recompensadas pela vitória. Brandindo as suas pesadas maças de ferro, eriçadas de picos, que manejavam como leve haste cortada pelo vento, poderíamos encontrá-los pondo sempre ao serviço das causas nobres e justas os braços decididos e o seu valor inigualável.
Quis o destino que, certo dia, o nosso rei travasse com o inimigo uma sangrenta batalha. De ambos lados havia bravura e decisão e, apesar do ardor com que os portugueses se entregavam à luta, esta começou a mostrar-se favorável aos adversários. O único caminho a seguir parecia ser a retirada, mas, repentinamente, apareceram os dois cavaleiros que, com gritos de incitamento à gente lusitana, abriram caminho por entre as fileiras cerradas dos inimigos. As perigosas maças que empunhavam causavam o terror dos que há pouco se julgavam já vitoriosos e até o próprio rei, contagiado pela sua audácia, erguia acima do clamor da peleja gritos entusiastas: - “ Maça! Macedo! Maça! Macedo!”
A bandeira portuguesa cobriu-se mais uma vez com louros da vitória e no peito dos dois cavaleiros da maça teve origem o nome de Macedo de Cavaleiros.
Personalidades da Terra
De acordo com os documentos de D. Afonso III, em 1258, o território de Macedo pertencia a D. Nuno Martins e a D. Mendes Gonçalves, nobres cavaleiros. Esse território era, na altura, apenas uma pequena povoação com importância inferior às suas vizinhas Nozelo, Vale Prados, Cortiços, Sezulfe e Pinhovelo, as quais, receberam carta de foral antes de Macedo de Cavaleiros.
Foi a partir do século XIV que Masaedo surge pela primeira vez nos documentos como Macedo de Cavaleiros. É provável que o facto de seus donatários serem cavaleiros tenha estado na origem deste aditivo.
Em 1722, D. João V passou carta de reguengos da Casa de Bragança aos moradores da quinta de Macedo. Ao designar Macedo como "Quinta" fica patente a pequena dimensão desta povoação.
Filhos ilustres
Beato Bento de Castro
Manuel de Almeida Pessanha
António Alberto Charula Pessanha
José António de Moura Pegado
José Marcelino da Rocha Cabral
Adriano Moreira
Sabe-se que no reinado de D. Dinis foi concedida carta de foral a Nozelos, em 1284.
Nesta freguesia destacaram-se várias figuras ilustres através das suas acções e feitos de grande nomeada:
Manuel de Almeida Pessanha
Natural desta freguesia, nasceu a 20 de Agosto de 1825. Foi um político de grande influência. Foi Governador Civil de Bragança em 1858 e Par do reino em 1863. Faleceu nesta terra a 15 de Janeiro de 1871.
Padre João Manuel de Almeida Morais Pessanha
Nasceu nas Arcas em 3 de Fevereiro de 1843. Foi presbítero, capelão militar, Cavaleiro da Ordem de Avis, professor e jornalista. Na opinião do abade de Baçal foi uma das mais notáveis personalidades do distrito de Bragança. Faleceu a 22 de Junho de 1905, em Cabeça Boa, Bragança.
Francisco de Assis Pereira do Lago — Visconde das Arcas
Natural desta freguesia, onde nasceu a 8 de Janeiro de 1844. Foi uma figura de grande destaque no Distrito, tendo sido deputado por Macedo de Cavaleiros em 1870 e Governador Civil de Bragança em 1886. Faleceu a 4 de Fevereiro de 1914.
De Grijó para a «cidade grande» e de Lisboa para o mundo, o percurso de um homem que foi político e é académico. E sobretudo e sempre cidadão. De dimensão ecuménica, mas permanentemente recordado dos que o precederam, a ponto de não encontrar solução para saber como irá, um dia, «poder ficar junto deles». Até porque os filhos o «obrigam a ter a âncora noutro lugar».
Adriano José Alves Moreira
Nasceu em Grijó do Vale Benfeito, Macedo de Cavaleiros, no dia 6 de Setembro de 1922, filho de António José Moreira e de Leopoldina do Céu Alves. Da mãe, guarda a imagem da dedicação, da lógica, do rigor, «inteligente como fora seu pai, e cuidadosa na guarda das tradições, dos usos e costumes ancestrais», enquanto, sobre o pai, «um homem que com pouco estava satisfeito» e sem esforço algum criava amigos, tudo se resume a um desejo: que os filhos guardem de si «a igual recordação constante» que tem dele.
Tradições Populares
As Ceifas
Ceifas na Minha Terra
As "segadas" ceifas do trigo e do centeio, à moda antiga. Tínhamos de estar na seara ao nascer do sol. Comíamos a côdea, que era o pão com queijo ou chouriça; às nove horas já íamos olhando para o caminho, para ver se alguém aparecia com o pequeno-almoço. Continuávamos o dia, rego a pós rego, até chegar o almoço, seguido de uma pausa de uma hora. Recomeçávamos o trabalho; torna a pós torna, sob o calor ardente próprio da época
A carreja
Transporte do trigo e do centeio para a eira, transporte era feito em carros de madeira puxados por bois.
A Eira - Espaço onde é malhado o cereal
A Malha - A separação do cereal da palha.
O Mata Porco
Logo pela manhã, os matadores juntam-se com seus vagares para o mata-bicho: umas lascas de trigo com uns figos secos e umas nozes, tudo empurrado por uns tragos de aguardente. O matador aparece para pontificar ao ritual, com a longa faca bem afiada embrulhada em toalha de linho, como instrumento litúrgico consagrado a este acto e, por isso, preservado dos rasteiros usos culinários. Como quase sempre se tratava de alimárias a rondar as dez arrobas, a primeira grande aventura residia em convencer o bicho a deixar-se agarrar. Mas como bichos que eram, privados da vianda nas vinte e quatro horas anteriores para limpeza dos intestinos, dizia-lhes o instinto que não era para coisa boa que aqueles forasteiros lhe invadiam a loja, em vez da dona com a vianda. E era o cabo dos trabalhos para convencer o bicho a deixar-se atar ao banco onde iria ser imolado.
Era assim há cinquenta ou sessenta anos! E nós, pobres, éramos felizes. E ricos sem o sabermos!
Os Enchidos
Quando se matava o porco para durar para o ano inteiro, tinha de se conservar a maior parte da carne dele. Ora toda a gente sabe que há três formas de conservar:
ü - Pelo frio;
ü - Pelo sal;
ü - Pelo fumo.
O Frio, como temos agora nas arcas congeladoras, coisa que não havia há uns anos para trás;
O Sal, era nas salgadeiras que se guardava a sobrevivência de meses que haveriam de vir;
O Fumo, quando se cozinhava ao lume tudo se aproveitava, até o fumo, que subia, servia para fumar os enchidos, tais como a alheira, o azedo, salpicão, linguiça, butelo e chouriço doce de sangue, aos quais o fumo dá a cura e se conservam por muito tempo.
Dia de São Martinho
A tradição manda que o dia de S. Martinho se festeje com castanhas, água pé (para os mais crescidos), uma fogueira para saltar (quem quiser) e bom convívio.
O facto de o seu dia coincidir com a época do ano em que se celebra o culto dos antepassados e com a altura do calendário rural em que terminam os trabalhos agrícolas e se começa a usufruir das colheitas (do vinho, dos frutos, dos animais) leva a que a festa deste Santo tenha toda uma componente de exuberância que actualmente tende a prevalecer.
Assim, em Portugal, o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas dos locais de culto, e o seu espírito de solidariedade lembrado, quanto mais não seja, através do relato do episódio em que partilhou a sua capa com um pobre; mas de resto, e por todo o lado, as pessoas andam ocupadas nas actividades mencionadas nos provérbios sobre este dia: assam-se castanhas, prova-se o vinho...
A Lenda
reza a lenda que o São Martinho era um soldado muito bondoso.
“… Um dia muito chuvoso e frio, ia passar no seu cavalo e encontrou um pobre homem despido a tilintar com o frio, não pensou duas vezes, tirou a capa que tinha sobre as costas e descendo do cavalo, cobriu o mendigo com ela, de imediato a chuva parou e o sol raiou...!”
Moral da história: Se todos fossemos bondosos como o São Martinho o mundo era mais belo.
O Entrudo
Os Caretos
Despedem o Inverno e saúdam a Primavera, para os Caretos o Carnaval é um ritual entre o pagão e o religioso, tão natural como a passagem do tempo e a renovação das estações. Em Podence, concelho de Macedo de cavaleiros, todos os anos é assim, chegado o mês de Fevereiro.
Tradição e Significado
O Carnaval dos nossos dias, urbano ou rural, remonta, na sua origem, às antigas festas da Natureza. A expressão popular "é Carnaval, ninguém leva a mal", encontra o seu fundamento nos rituais. A destruição pelo fogo de figuras alusivas ao passado (tudo o que é velho), o julgamento e queima, em cerimónia pública, do Entrudo, do Velho e de outras figuras míticas, o castigo que os mascarados infligem às mulheres que se atrevem, nesse dia, a sair à rua, a serra da velha, as "chocalhadas", como rito regenerador e fecundante que os espalhafatosos caretos aplicam às mulheres. Recuando no tempo, podemos encontrar as origens do Entrudo nas antigas festas Lupercais, celebradas na antiga Roma, em meados de Fevereiro, em honra do deus Pan, protector dos pastores e dos rebanhos. Como em qualquer festa digna deste nome, eram permitidos aos festejeiros todos os excessos, no uso e abuso da comida e da bebida e na fuga às normas e comportamentos socialmente instituídos.
Traje
Os Caretos usam máscaras rudimentares, onde sobressai o nariz pontiagudo, feitas de couro, madeira ou de vulgar latão, pintadas de vermelho, preto, amarelo, ou verde. A cor é também um dos atributos mais visíveis das suas vestes: fatos de colchas franjados de lã vermelha, verde e amarela, com enfiadas de chocalhos à cintura e bandoleiras com campainhas. Da sua indumentária, faz também parte um pau que os apoia nas correrias e saltos. A rusticidade do ambiente é indissociável desta figura misteriosa.
A Função das Máscaras
O mascarado que nesta região sai à rua nas festas solsticiais do Inverno e no período de Carnaval, assume hoje funções meramente profanas, bem distintas das que estão na origem do seu aparecimento. Sendo na Antiguidade um elemento de ligação entre os vivos e os mortos, entre o homem e a divindade, o mascarado parece hoje desempenhar, de forma inconsciente, as mesmas funções mas, aos olhos do povo, representa o diabo e conscientemente se assume como tal nos gesto e atitudes que toma. O carnaval situa-se no momento de passagem do Inverno para a Primavera ou de um ano a outro (segundo o antigo calendário gregoriano o ano começava em Março). Logo, o Carnaval corresponde a um momento crítico para as sociedades agrárias. A presença do mascarado justifica-se assim e a sua acção relaciona-se com a preparação para essa passagem, o culto dos mortos e da divindade com a transformação de uma pessoa humana num ser com poderes que estão acima das normas sociais instituídas.
Rituais
Mergulhando na raiz profana e carnal, o verdadeiro motivo que move o Careto é apanhar raparigas para as poder chocalhar. Sempre que se vislumbra um rabo de saia, o Careto é impelido pelo seu vigor.
Ao CARETO tudo se permite nesses dias, pois ele assume uma dupla personalidade. O indivíduo ao vestir o fato torna-se misterioso e o seu comportamento muda completamente, ficado possuindo de uma energia transcendental. Existe algo de mágico e de forças sobrenaturais ocultas em todo este ritual de festa que atribui a estas personagens prerrogativas a imunidade interditas a outros mortais. A antiguidade e originalidade desta tradição, cheia de cor e som e a vontade das gentes de Podence, em preservar estas figuras, fizeram dos Caretos personagens famosas para lá dos limites da aldeia... e são cada vez mais frequentes os convites a este grupo etnográfico para deslocações a vários pontos do país.
Casa do Careto
A Casa do Careto foi inaugurada no dia 22 de Fevereiro de 2004, sendo o orgulho de todos aqueles que gostam da sua terra, Podence!, É de realçar o papel fundamental da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, na concretização deste projecto. Este espaço proporciona a realização de vários eventos culturais e recreativos enquadrados no Roteiro Turístico do Nordeste Transmontano e de apoio ao Parque de Natureza do Azibo.
Rezas e Mezinhas
Até há poucas décadas atrás, o acesso à medicina não estava ao alcance de todos. Como tal, na maioria das situações as pessoas recorriam à religião, à crença nos Santos protectores e às rezas e mezinhas populares que a traição oral lhes transmitia.Com essas rezas, benzeduras e mezinhas procuravam solução para todo o tipo de males, físicos ou de espírito.
Eis alguns exemplos inventariados no nosso concelho:
Oração do coxo
Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo Jesus Santo nome de Jesus que é o nome da virtude (3x),
Coxo coxão eu te corto com faca do pão. Coxo de sapo, coxo de sapão coxo de cobra coxo de cobrão coxo de lagarto coxo de lagartão coxo de aranha coxo aranhão, coxo de rã coxo de rão, coxo de ladra, coxo de ladrão. Coxo de toda a nação.
Em louvor de Deus e da Virgem Maria um Pai-nosso e uma Ave-Maria, nove vezes.
Preparação do remédio
ü Uma colher de leite de mulher que amamente um menino.
ü Uma colher de pingo sem sal.
ü Uma bola de naftalina.
ü Derreter tudo ao lume e depois adicionar uma colher de enxofre.
Oração à ciática
Jesus santo nome de Jesus (3x)
Eu te corto ciática pelo poder e Fazer da Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, são três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro.
Eu te corto ciática pelo poder e fazer do Apostolo São Pedro.
Eu te corto ciática pelo poder e fazer do Apóstolo São Paulo.
Eu te corto ciática pelo poder e fazer da Santíssima Trindade.
Pai, Filho e Espírito Santo, são três Pessoas distintas e um só Deus verdadeiro.
Em louvor de Deus e Virgem Maria, pai-nosso Ave-maria.
Reza-se 3x e faz-se novena 3x, 7x ou 9x.
(Avidagos, 29/04/2009, Maria de Fátima Gomes, 55 anos)
Oração ao Mau-Olhado
Jesus Santo Nome de Jesus que é o nome da virtude. (3x)
Em Louvor de (nome) Assim como foi verdade que Deus nosso Senhor nasceu em Belém.
Assim seja verdade, se for ódio, inveja, feitiço ou feitição.
Cobra ou cobrão, Lagarto ou lagartão, Sapo ou sapão, toda a espécie de bruxaria que ao (nome) lhe fazem, com o lume tudo queimo, com o sal tudo excomungo, com a faca tudo corto, todo o mal que seja, para trás irá, todo o bem para diante voltará.
Em Louvor da Virgem Maria um Pai-Nosso e uma Ave-maria.
(Chairos, 02/03/2010, Ana Maria, 63 anos)
Superstições
Existe um rol de superstições sobre as mais diversas coisas, desde a nascença ate á morte. Segundo as pessoas mais antigas.
ü As grávidas não devem usar colares ao pescoço sob pena da criança nascer com sinais na pele.
ü As mulheres grávidas quando estão a lavar polvo não devem tocar com as mãos no corpo sob pena da criança nascer com manchas de polvo.
ü As mulheres grávidas não devem cheirar directamente flores sob pena da criança vir a nascer com manchas de flor na pele.
ü As mulheres não devem comer os frutos gémeos, pois correm o risco de engravidar de gémeos.
ü Antigamente para evitar que os bebes tivessem lombrigas colocava-se-lhes um fio com dentes de alho ao pescoço.
ü Quando as crianças tinham o sono trocado ia-se à fonte com um cântaro de barro à cabeça e com a fralda da criança apertada na asa do cântaro.
ü Os bebes não devem ser postos em frente ao espelho porque isso leva a que só falem mais tarde do que o habitual.
ü As crianças não devem brincar com o lume para não fazerem xixi na cama.
ü Quando uma criança ri enquanto dorme é sinal que está a falar com os anjos.
História dos Chás
Erva Cidreira - Benefícios para a Saúde
Os suplementos da erva-cidreira são feitos a partir das folhas da planta. Os óleos essenciais das suas folhas contêm substâncias químicas denominadas terpenos, que têm alguma influência no efeito relaxante e antiviral da erva. A erva-cidreira também contém elementos denominados taninos, que se crê estarem na origem dos efeitos antivirais da planta. A erva-cidreira contém também eugenol, que acalma os espasmos musculares, entorpece os tecidos e mata as bactérias.
Alguns registos sugerem que a erva-cidreira, em combinação com outras plantas, pode ajudar a tratar a indigestão. E alguns estudos descobriram que esta planta pode ajudar a melhorar a função cognitiva e diminuir a agitação das pessoas com doença de Alzheimer.
Insónia e ansiedade
Em vários estudos descobriu-se que a combinação da erva-cidreira com outras ervas calmantes (como a valeriana, o lúpulo e a camomila) ajuda a reduzir a ansiedade e a estimular o sono. Poucos estudos examinaram a erva-cidreira por si só, excepto para uso tópico. Por exemplo, num estudo em pessoas com problemas menores de sono, aquelas que tomaram uma combinação de valeriana e erva-cidreira relataram que dormiam muito melhor do que aquelas que tomaram o placebo. Mas não é claro, neste e noutros estudos, se é a erva-cidreira ou a valeriana (ou a combinação de ambas), que foram responsáveis pelo resultado.
O mesmo se aplica a vários estudos para a ansiedade, em que foi usada uma combinação de plantas para reduzir os sintomas.
Noutro estudo duplo-cego, com um grupo de controlo com um placebo, 18 voluntários saudáveis receberam duas doses separadas de extracto convencional de erva-cidreira (300 mg e 600 mg) ou um placebo durante 7 dias. A dose de 600 mg de erva-cidreira registou uma melhoria do humor e aumentou significativamente a calma e atenção.
Uso da erva-cidreira em bebidas e comidas
A erva-cidreira é muitas vezes usada como aromatizante em sorvetes e chás quentes e frios, frequentemente em combinação com outras ervas como a hortelã. Erva-cidreira também é utilizada na culinária com pratos de frutas e doces.
Uso medicinal da erva-cidreira - As folhas da erva-cidreira esmagada, quando esfregadas na pele, é usado como repelente de mosquitos. Erva-cidreira também tem uso medicinal em chás ou na forma de extrato. Acredita-se que a erva-cidreira tenha propriedades antibacterianas e antivirais. Ela também é usada como agente calmante e sedativo leve.
Nome científico da erva-cidreira: Melissa Offinalis
Erva de São-Roberto
Também conhecida por Erva Roberta, além de purificadora do sangue, é ainda útil no tratamento de hemorróidas, úlceras de estômago e intestinos.
Usada no tratamento: aftas, anginas, boca, cancro, diabetes, diarreia, ferida, hemorragia, nefrite, olhos, rouquidão, seio. Útil ainda no tratamento de hemorróidas, úlceras de estômago e intestinos, síndrome de colón irritável, menstruações abundantes, é diurética, daí ser utilizada para tratar alguns tipos de reumatismo e gota.
Pode utilizar-se em forma de gargarejos para aliviar dores de garganta, inflamação da boca e das gengivas, incluindo sangramento das gengivas.
Existem várias variedades da erva de São-de-Roberto. Cresce no meu quintal, em qualquer sítio, mas com mais frequência aparece com elegância, nos vasos de outras plantas e em sítios cultivados e vistosos, por isso a considero uma erva elegante e vaidosa, porém, não deve ser considerada uma infestante, porque tem beleza, e as suas folhas verdes triangulares, nesta altura do ano tem alguma aparência com a salsa e com os gerânios, até porque pertencem ao género botânico dos gerânios. Começam a aparecer nestes lados em Fevereiro, nesta altura encontram-se viçosas e daqui algum tempo começam a florir intensamente, com as suas cinco pétalas de cor de tom rosa arroxeado, em Maio/Agosto, as plantas estão no seu auge, e amadurecidas, as folhas começam a perder cor, ficam numa mistura de um vermelho torrado, e o caule fica avermelhado, não resistem à floração, expelindo um cheiro intenso e acre com sabor amargo, nesta altura a planta deve ser colhida e pendurada em molhos em local coberto sombreado e bem arejado, para que possamos beber uns bons tragos de chá no Inverno.
Como se pode ver nas indicações, esta planta é indicada para várias enfermidades, aconselha-se fazer gargarejos para aliviar a dor de garganta, rouquidão, ou sangramento nas gengivas.
Os chás indicam-se para úlceras no intestino e no estômago, é adstringente, promove uma camada protectora nas paredes do intestino, e nas suas membranas mucosas, contraindo os capilares e reduzindo a perda de fluidos. Compressas: pode ser aplicada para extrair furúnculos, ou qualquer impureza da pele, também se pode colocar sobre a vista quando inflamada.
Nome cientifico: Geranium robertianum
FIOLHO
Rico em fibras, vitaminas, proteínas, gorduras e hidratos de carbono, abre o apetite, estimula a digestão e aumenta o leite das mães. Ajuda a eliminar gases intestinais e a combater a tosse. Fortifica os nervos.
LIMONETE
O limonete, também conhecido por lúcia-lima (Lippia citriodora Kunth), é uma planta arbustiva perene, de folha caduca. Originária da América do Sul, terá sido introduzida na Europa pelos espanhóis, no século XVII. As suas folhas, para além de utilizadas na confecção de alimentos e para aromatizar bebidas, são também usadas na preparação de infusões com propriedades aromáticas, digestivas e anti-espasmódicas
As infusões de limonete apresentam cor amarela-esverdeada, de aroma intenso a citrinos como a lima, limão ou toranja. O seu sabor é levemente doce, citrino, a casca de laranja, ligeiramente acídulo na língua, com corpo envolvente e persistente e com final a rebuçado.
Tradicionalmente as infusões de limonete são utilizadas para dores de estômago e indigestões. Também lhes são atribuídas capacidades anti-espasmódicas, sedativas, anti-inflamatórias e diuréticas
Limonete: planta medicinal utilizada como calmante contra o nervosismo e os distúrbios gastrointestinais relacionados ao estresse. Esta planta é geralmente encontrada em forma de infusão (chá).
O limonete é uma planta muito comum na Europa e na América do Norte, sendo frequentemente associada à erva daninha. As folhas secas de limonete permitem uma preparação fácil e vantajosa de uma infusão que combate os distúrbios do sono (leve) e pequenos problemas gastrointestinais. Além disso, o sabor desta infusão é muito agradável.
TÍLIA
Ao contrário da maioria das infusões de ervas a tília é produzida a partir de uma árvore, bem grande por sinal, e não de um arbusto. Das suas folhas em contacto com a água quente são extraídos os princípios activos que te vão ajudar a enfrentar aqueles dias em que o mundo parece ter conspirado contra ti. Relaxa e deixa que os seus efeitos calmantes da tília actuem sobre o teu sistema nervoso, verás que te vai ajudar.
Trata-se de uma árvore robusta, de folha caduca, que pode ultrapassar os 30 m de altura. A copa é ampla e ramosa, de folhagem densa, que pela disposição quase horizontal das folhas, projecta uma sombra muito intensa. As folhas são grandes, alternas, amplamente ovadas ou arredondadas, de margem finamente serrada, cordiformes, um pouco assimétricas na base, pubescentes na página inferior, onde os pêlos formam tufos no encontro das nervuras. As flores são pequenas de cor branca, creme ou amareladas, muito aromáticas que surgem em Maio. O fruto é seco e ovóide.
Nome científico: Tilia Vulgaris hayne
Camomila
Vamos conhecer os benefícios que podemos obter por meio do consumo de infusões de camomila, esta planta tão comum nas épocas mais calorosas que as que correm, é uma graça que você pode achar por vários lugares. É claro que em cidades populosas e cobertas de asfalto isto será mais difícil, mas uma linda volta pelo interior ou pelo campo lhe proporcionará uma linda vista delas e saberá por que ela forma parte do listado das plantas que curam.
Os benefícios do chá de camomila têm-se comprovado nas questões digestivas, que é o seu uso mais comum, mas ela também é usada em questões como a diabete. Hoje falaremos especificamente do seu chá e como aproveitá-lo na medicina natural.
Os benefícios do chá de camomila são vários, e trata-se de uma bebida muito consumida antes de dormir. A explicação disso radica nas propriedades sedativas desta planta medicinal. É especialmente efetiva para controlar os nervos, e seu uso em crianças é altamente eficiente, especialmente em crianças hiperativas que têm dificuldades na hora de controlar as suas emoções.
É conhecida a eficácia deste chá em casos de pessoas com problemas de articulação como o reuma, e alivia os sintomas da gripe ou outras doenças respiratórias como a asma. Neste último caso é possível consumir o chá ou aplicar a planta em forma de vapor.
Se está a sofrer de problemas como indigestão ou com o fígado, é bom beber um chá de camomila após as refeições para ter uma boa digestão.
Para preparar o chá de camomila tudo o que você terá que fazer é ferver um copo de água e colocar nele umas duas colherezinhas de flores de camomila, cubra e deixe pousar durante 10 minutos. Após isso pode ter a certeza de que está a beber todas as propriedades da camomila.
Nome Científico: Matricaria recutita; Sinonímia: Chamomilla chamomilla.
Glossário
Expressões Populares:
ü Sibo - Pedaço
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